Lagoa do Peri recebe projeto sustentável pioneiro em Santa Catarina

Casa Sustentável - Eco Peri

Florianópolis – Uma casa sustentável em meio à natureza, que tem como objetivo apresentar uma série de soluções à comunidade. A partir daí, se sentir cada vez mais conectado ao meio ambiente e levar ao seu dia a dia produtos e materiais que não agridem o espaço em que vive.

O responsável pelo projeto é o arquiteto Rafael Loschiavo, especialista em sustentabilidade. Segundo ele, a casa na Lagoa do Peri, em Florianópolis, é um projeto pioneiro no estado de Santa Catarina e a segunda construção sustentável com foco em educação e integração à natureza feita pelo escritório Ecoeficientes, de São Paulo.

A primeira foi na capital paulista, feita há sete anos. Ela possui, por exemplo, telhado verde, placas solares, cisternas, entre outros, em um espaço de 3,70×5 metros de estrutura metálica. Por lá, a casa sustentável fica localizada no Ecobeco, que abre aos fins de semana para o público – exceto agora, na pandemia.

Já na capital de Santa Catarina, a obra, que iniciou em junho, encerrou há poucos dias. “Em Florianópolis, começamos a construir o módulo com estrutura de madeira pinus, de reflorestamento. Utilizamos ainda frames com placas de reciclados por fora, assim como as cisternas, placas de tetrapak, aglomerados, por exemplo”, explica o arquiteto.

A casa sustentável no Eco Peri tem nove metros quadrados, com pé direito de três metros quadrados. É rodeada por mata nativa, e recebe diariamente a visita de tucanos e até macacos. Sem contar a vista para o mar, que encanta com seu amanhecer.

“Aqui é como se fosse um experimento. Atuo com projetos de arquitetura e educacional, e esse espaço é uma opção para ser um laboratório de soluções sustentáveis”, relata o profissional.

Casa sustentável desde a fundação

Além disso, vale destacar que a sustentabilidade, nesse caso, vem desde a fundação. Isso porque não houve nenhum impacto ambiental nesse processo, já que para a construção da casa foi utilizado, conforme Loschiavo, um reservatório que existia no local. “Fiz [a fundação] em cima dele”, comenta. Por sua vez, praticamente não houve desperdício de madeira, pois todas vieram no tamanho adequado para dar forma à estrutura. As conexões, por outro lado, foram feitas de metal.

Uma das situações que mais chama atenção é a integração do sol e do vento à construção da casa sustentável. De acordo com Loschiavo, todas as janelas estão conectadas a luz solar, o que reforça o contato com a natureza.

Chapas de aglomerados compõem a casa sustentável

As chapas são também grandes diferenciais desse projeto, e quem explica mais sobre sua funcionalidade é o Leandro Moura, da Eco Telhas Floripa, de Florianópolis.

“A casa recebeu placas de oito milímetros, que são chapas de aglomerados feitas de polietileno e alumínio, de 2,20×1,10. A composição desses materiais totalmente ecológicos proporciona um produto 100% impermeável, anti-fungos, anti-chamas, além de ter uma durabilidade muito grande. Sua longa duração e a sua qualidade é o que faz toda a diferença nesse projeto”, comenta.

É necessário frisar que as placas podem ser encontradas na Eco Telhas Floripa em espessuras diferentes, de 4, 6, 8, 10, 12 e 15 milímetros, dependendo da finalidade.

Optar por placas ecológicas, produzidas a partir de materiais reciclados, garante ainda mais agilidade na obra. Segundo Leandro, no momento de instalar as telhas, por exemplo, não há o risco de quebrá-las, o que torna sua colocação muito mais rápida. Há ainda outra vantagem. É a economia no madeiramento, isso porque as ripas são colocadas de metro em metro.

Sem falar o conforto térmico, já que o produto vêm com mantas que reduzem em até 75% o calor, proporcionando uma sensação térmica muito mais agradável.

Mas, por que uma casa sustentável na lagoa natural do Peri?

A escolha do local para a construção da casa sustentável não foi à toa. Conforme o arquiteto, o terreno em que o projeto foi executado é bem no limite da lagoa natural do Peri, uma área de grande importância para a biodiversidade da região.

“Existe uma problemática mundial de que as fazendas vão avançando sempre nas matas nativas, e uma das formas de conter um pouco esse avanço é criar em volta dessas áreas verdes um cinturão de projetos ligados à ecologia. Assim, conseguimos ocupar o terreno, essa fronteira, de forma sustentável, que não agrida o meio ambiente”, explica Loschiavo.

Apesar das dificuldades que o local possui quando se fala em construir um empreendimento, como a falta de acesso a veículos e a área totalmente envolta pela mata, a casa sustentável da lagoa natural do Peri servirá como modelo e inspiração para que projetos semelhantes sejam implantados em outros lugares.

E não é somente a arquitetura que é o destaque do projeto. Loschiavo comenta que, no futuro, o espaço será dedicado ao ecoturismo. “É possível, posteriormente, promover eventos, cursos e aulas que envolvam a ecologia e a sustentabilidade como temas. Além disso, as pessoas poderão visitar o local, praticar atividades e trilha. Quem sabe, haverá ainda a possibilidade de hospedagem na casa sustentável a fim de que haja uma experiência prática com esse projeto”, afirma o arquiteto, que reforça: “A proposta é criar um espaço de convívio para que as pessoas possam ter uma série de práticas para entender os benefícios da integração com a natureza”, pontua.

Sustentabilidade em qualquer lugar

O projeto, no entanto, é também uma forma de mostrar à comunidade que é possível ter um lar ou até mesmo um escritório com viés sustentável. Ou seja, você pode incluir o meio ambiente na sua rotina por meio de simples soluções.

“Para facilitar o entendimento, há seis categorias principais que podem ser aplicadas desde um apartamento até um sítio, por exemplo”, diz Loschiavo. Em primeiro lugar, está o aproveitamento da água da chuva. Há ainda o uso de materiais naturais e reciclados durante a execução de uma obra. O terceiro ponto trata sobre a bioclimática, que nada mais é do que o estudo de como posicionar janelas, entender o comportamento térmico dos materiais e as melhores opções de luz e ventilação.

É preciso destacar ainda o tratamento de resíduos sólidos e orgânicos, que podem ser adaptados para o sustentável. A geração de energia através do sistema fotovoltaica é mais uma alternativa. E para fechar, há a integração da vegetação no projeto, composto por telhados e paredes verdes e paisagismo.

Fonte: Construir.aí | Marina Kessler
Fotos: Rafael Loschiavo

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